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Sir Stirling Moss, o piloto integral

Sir Stirling Moss, o piloto integral
©️ Formula 1

Por Castilho de Andrade 

Um único título mundial de Fórmula 1 era o mínimo que o piloto Stirling Moss merecia no seu currículo. Mas ele não veio nos seus dez anos na competição. Mas vieram quatro vices entre 1955 e 1958 – três deles atrás do mítico argentino Juan Manoel Fangio – e outro, por apenas um ponto, para o inglês Mike Hawthorn. Sem querer desmerecer, Mike não era páreo para Moss.

Moss morreu aos 90 anos, tranquilamente, em sua residência londrina, neste domingo de páscoa.

Esse quarto vice, o de 58, seria o título se o próprio Moss não tivesse intercedido para Mike Hawthorn não ser desclassificado no GP de Portugal, no circuito de Boa Vista, daquele ano. Hawthorn tinha tomado uma direção errada após o reinício da corrida mas Stirling defendeu que ele não tinha violado nenhuma regra e o rival garantiu os pontos correspondentes ao segundo lugar. E, por tabela, deu a vantagem que ele precisava no final da competição para levantar o título.

Na carreira, Hawthorn venceu apenas três provas. E no ano em foi campeão mundial só conquistou um primeiro lugar, na França, enquanto Moss cruzou a linha na frente nas corridas da Argentina (superando Fangio), Holanda, Portugal e Marrocos. Moss encerrou a carreira na Fórmula 1 com 16 vitórias. Tornou-se o maior vencedor sem um único título.

Conversei com Stirling Moss, as duas durante corridas na Inglaterra entre os anos 80 e 90. Na primeira perguntei se ele tinha se arrependido de ter intercedido em favor de Hawthorn. Ele olhou sério e respondeu: “eu fiz o que eu tinha de fazer. Não poderia nem imaginar como o campeonato terminaria. Mas nunca me importei com isso.”

Moss era piloto do velho estilo. Correu em diversas categorias, fez cerca de 500 provas e venceu 512. Criticava a preocupação constante com segurança – ‘o automobilismo é perigoso. Não adianta querer negar isso’. Stirling Moss só não admitia o jogo sujo na pista.

No GP da Hungria de 2010, quando Michael Schumacher prensou o companheiro Rubinho Barrichello contra o muro, Moss assinou um artigo criticando o alemão e classificando de muito branda a decisão dos comissários que puniram Schumacher com perda de 10 posições no grid da corrida seguinte, na Bélgica. “Ele deveria ser punido com a suspensão por um ano ou mais. Se algum carro estivesse deixando o box naquele momento teríamos um terrível acidente’.

Também perguntei a Moss sobre o ‘maior de todos os tempos’. Senna ainda estava vivo e já era uma lenda e a era Schumacher ainda não tinha começado. Achei que ele apontaria o brasileiro como o maior de todos. Mas não:

 “Juan Manoel Fangio. É o maior de todos os tempos embora eu reconheça que é difícil comparar pilotos de eras distintas. Eu seria capaz de batê-lo em corridas de carros esporte, mas nunca na Fórmula 1’.

Moss foi um piloto fantástico. Dentro e fora das pistas. 

 

 

Castilho de Andrade é jornalista especializado em automobilismo e Diretor de Imprensa do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1.