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Lewis Hamilton sob pressão?

Lewis Hamilton sob pressão?
©️ Mercedes AMG F1 Team

Por Castilho de Andrade 

Foi apenas a primeira – e muito movimentada – etapa do Mundial de Fórmula 1 2020. Mas deu alguns vestígios sobre o que poderá vir na sequência.  E Lewis Hamilton, candidatíssimo ao sétimo título, terá que se cuidar com Valtteri Bottas. E o próximo desafio já será no domingo que vem, 12/07, 10h10, com o GP da Estíria, no mesmo circuito Red Bull.

Curiosamente repetiu-se na Áustria o que tinha ocorrido no GP Brasil do ano passado. Em Interlagos, Lewis Hamilton envolveu-se em um acidente com Alex Albon, acabou punido, e permitiu que um piloto da McLaren, Carlos Sainz Jr., subisse ao pódio pela primeira vez. Na Áustria, Hamilton foi punido por tirar Albon da pista e abriu um lugar no pódio para outro piloto da McLaren, Lando Norris. Até aí, tudo bem. Não fosse a vitória imaculada de Valtteri Bottas, a partir da pole position.

Digamos que Bottas volte a vencer domingo. Ele se adapta bem ao circuito austríaco. Como reagirá Lewis Hamilton? No passado, dois de seus maiores adversários foram exatamente companheiros de equipe: Fernando Alonso e Nico Rosberg. Terá Bottas substância para se impor ao hexacampeão mundial como fez Rosberg em 2016?

Convém lembrar que este campeonato será mais curto. Fala-se entre 15 e 18 provas, no máximo.  Isso significa que as provas valerão mais na soma final de pontos. Ou seja: não haverá tantas oportunidades para se recuperar resultados ruins.

O GP da Áustria cumpriu todos os protocolos rígidos contra o Covid-19 com máscaras, distanciamento e farta distribuição de álcool gel. E tudo correu bem com uma ou outra exceção de descumprimento das regras. Nada, a princípio, mais grave. Também o compromisso da Fórmula 1 pela igualdade e contra o racismo deixou claro sua marca.

Na pista tivemos a Red Bull como a grande equipe perdedora. Correndo no seu próprio autódromo, a equipe desapontou-se com nenhum dos dois pilotos – Max Verstappen e Alex Albon – concluindo o percurso. Aliás, nove carros ficaram pelo caminho. As Mercedes, sempre bem superior às demais, reforçadas ainda pelo sistema DAS (direção de duplo eixo), que a Red Bull contestou, mas sem resultado, viu perder a chance da dobradinha com a punição a Lewis Hamilton. O próprio piloto foi honesto e admitiu o erro.

As duas surpresas ficaram por conta da Ferrari e McLaren. O segundo lugar de Charles Leclerc, depois de uma corrida burocrática, surpreendeu a própria escuderia, bastante pessimista neste começo de temporada. Sebastian Vettel rodou e não passou do 10º lugar. Já a McLaren começou como um título o terceiro lugar inesperado de Lando Norris que fez uma corrida consistente e ainda cravou a melhor volta da prova, ganhando o ponto extra.

Pilotos e equipes mostraram-se um pouco inseguros depois do longo período sem atividades. A roda solta na Alfa de Kimi Raikkonen e a saída atabalhoada do box de Sergio Perez foram alguns exemplos. Isso já deverá desaparecer nas próximas etapas.  Entretanto não impediu que Bottas quebrasse o recorde de pole no sábado com 1min02s938 (a marca anterior era de Charles Leclerc, em 2019, com 1min03s003).  A Fórmula 1 está de volta com ótimas perspectivas.

 

 

Castilho de Andrade é jornalista especializado em automobilismo e Diretor de Imprensa do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1.