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Interlagos: 80 anos de velocidade e emoções

Interlagos: 80 anos de velocidade e emoções
© Getty Images

Por Castilho de Andrade 

O autódromo paulistano completa 80 anos neste 12 de maio. É um dos mais antigos e admirados da Fórmula 1 ao lado de Spa, Monza e Silverstone. Das corridas de carreteras e das Mil Milhas até a Fórmula 1, do mítico Chico Landi a Émerson Fittipaldi, de Bird Clemente a Ayrton Senna, Interlagos viu nascer uma geração de pilotos campeões que formaram um novo conceito do esporte no Brasil.

Para mim é fácil falar de Interlagos. Nos anos 50, ainda de calças curtas, estive no autódromo algumas vezes assistindo à uma das edições de Mil Milhas e, em uma ocasião, percorrendo todo o traçado em uma perua Skoda ao lado do Lobo do Canindé, o lendário Camillo Christofaro, conhecido de meu pai.

Depois, a partir de 1970, passei a frequentar assiduamente a pista como jornalista especializado em automobilismo esportivo. Foram horas de corridas de Fórmula Ford, Fórmula Vê, Super Vê, Divisão 3, Marcas, Stock, 500 Quilômetros, Mil Milhas e, é claro, a Fórmula 1 que tive o privilégio de estar presente a partir da primeira edição, ainda sem valer pontos para o Mundial, em 1972.

Andei de carona no Maverick de José Carlos Pace, preparado pelo Luiz Antonio Greco, convivi com Luiz Pereira Bueno, Bird Clemente, Wilsinho Fittipaldi, Carol Figueiredo, Francisco Lameirão, Ingo Hoffmann, Paulo Gomes, Chico Serra e com toda uma geração de pilotos que chegou à Fórmula 1. Entrevistei Jackie Stewart, Ronnie Peterson, Jacky Ickx, Carlos Reutemann, Nigel Mansell, Graham Hill, Mario Andretti, Michael Schumacher, Clay Regazzoni, Niki Lauda. Fui tiete de George Harrison em sua única visita ao Brasil, em 1979, para assistir ao GP Brasil.

Vi Roberto Carlos gravando algumas cenas do filme ‘A 300 km por hora’ quando o circuito media 7960 metros. Depois da reforma de 1989, o percurso foi reduzido para 4325 metros para receber de volta a Fórmula 1 que passou toda a década de 80 correndo em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

Acompanhei Ayrton Senna ao lado da prefeita Luiza Erundina e do então presidente da CBA, o inesquecível Piero Gancia, fiscalizando as obras do S do Senna, ponto crucial do traçado.

Uma pergunta recorrente que ouço é sobre o maior momento que vivi no autódromo. Insisto que foi em 1975 com a vitória de José Carlos Pace e Émerson Fittipaldi em 2º no GP Brasil de F1. Os dois foram carregados até o pódio; havia uma euforia absurda no autódromo e o clima não podia ser mais empolgante. Foi quando percebi com clareza que a F1 tinha chegado para ficar. Trinta e três anos depois, vi uma das corridas mais dramáticas da história do autódromo: a etapa brasileira da Fórmula 1 de 2008 quando Felipe Massa foi campeão mundial por alguns segundos até que a realidade final revelasse o verdadeiro campeão, o inglês Lewis Hamilton, em seu primeiro título.

Histórias não faltam. E este ano, nos dias 13, 14 e 15 de novembro, teremos mais um capítulo, com o 49º GP Brasil de Fórmula 1. Estou pronto para ele. 

 

 

Castilho de Andrade é jornalista especializado em automobilismo e Diretor de Imprensa do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1.