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A volta da Fórmula 1 a Interlagos: 30 anos atrás

A volta da Fórmula 1 a Interlagos: 30 anos atrás
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Por Castilho de Andrade 

25 de março de 1990. Depois de uma década em Jacarepaguá, no Rio, o GP Brasil de Fórmula 1 voltou a ser disputado em Interlagos. O novo traçado do circuito, reduzindo a distância de 7.960 metros (em 1980) para 4.325 (hoje são 4309 metros), o S do Senna, novo asfalto, 23 boxes novos, torre de cronometragem e direção de prova atualizaram o autódromo para continuar recebendo a categoria mais importante do automobilismo mundial.

Sem condições de realizar as mudanças necessárias em Jacarepaguá, exigidas pela Federação Internacional de Automobilismo, a Prefeitura do Rio desistiu de realizar o GP Brasil depois da corrida de 1989. O Brasil corria o risco de perder a data no calendário internacional. Mas uma reunião entre a então prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, e o presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo, Piero Gancia, assegurou a continuidade do GP. A prefeita garantiu que realizaria as reformas enquanto Gancia colocou seu prestígio em jogo junto aos dirigentes internacionais, solicitando a data da prova. E até Ayrton Senna, já campeão mundial em 1988, participou do projeto, colaborando com o desenho do S do Senna. Desde então a Prefeitura Municipal de São Paulo vem realizando o evento, sem interrupção.

Ayrton Senna julgava que a perda do GP seria péssimo para o automobilismo brasileiro e comemorou quando soube que São Paulo realizaria a corrida.

A pista mais curta permitiu que os cuidados com o asfalto, proteção e áreas de escape fossem mais eficientes. O novo traçado assegurou áreas de escape em todos os pontos críticos, aumentando a segurança. Por outro lado, permitia que os carros passassem um número maior de vezes em frente ao público. Das 40 voltas em 1980, o GP passou a contar com 71 voltas como permanece até hoje.

A volta do GP para São Paulo começou na quinta-feira, 22 de março, com um treino extra (exigência na época) para o reconhecimento da pista. Depois os treinos de sexta e sábado que colocaram as duas McLaren na primeira linha – Ayrton Senna e Gerhard Berger – enquanto o tricampeão mundial Nelson Piquet, com Benetton, foi o 13º.

Na corrida, por causa de um choque com o retardatário Satoru Nakajima, perdendo a asa, Senna fez um pit stop antecipado, depois de liderar 38 voltas, e não pôde ir além do 3º lugar. Alain Prost, com Ferrari, conquistou sua sexta vitória no GP Brasil, e Berger completou o pódio em 2º lugar. Piquet foi o 6º, fazendo uma corrida de recuperação.

O público, como se esperava, lotou o autódromo. O então presidente Fernando Collor de Mello entregou os troféus e Senna, que já tinha vencido a corrida de Phoenix, saiu de Interlagos como líder do Mundial, abrindo o caminho para o bicampeonato.

 

 

Castilho de Andrade é jornalista especializado em automobilismo e Diretor de Imprensa do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1.