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A Mercedes não tem culpa de ser a melhor

A Mercedes não tem culpa de ser a melhor
©️ Mercedes AMG F1 Team

Por Castilho de Andrade 

O chefe de equipe da Mercedes, o austríaco Toto Wolff, quase que se desculpou pela superioridade da equipe na Fórmula 1. Três corridas em 2020 e três vitórias. ‘Se as demais equipes não conseguem vencer, a culpa não é nossa’ disse na Hungria, antes da vitória deste domingo, a segunda de Lewis Hamilton, perfeita como a anterior, o novo líder do Mundial.

Esta é a 11ª temporada da Mercedes desde que retornou a Fórmula 1, com Michael Schumacher, em 2010. De 2014 até o ano passado, conquistou os seis títulos de Construtores e Pilotos. Não tem, a rigor, nenhuma adversária em igualdade de condições.

É claro que além da organização digna de um relógio de suíço é um ponto alto. Ela reduziu muito a margem de erro e é capaz de manobras arriscadas como a deste domingo, no Hungaroring, chamando Lewis Hamilton a três voltas do final para colocar pneus macios e assegurar o ponto extra pela melhor volta.

Mas o hexacampeão Hamilton é um fator inequívoco de desequilíbrio na competição. Ele domina o carro, conhece todos os limites, não perde a concentração, crava poles – já são 90 na carreira – e, graças isso, não tem se obrigado a disputas na pista, já que os adversários ficam quase sempre em segundo plano.

Há alguma explicação? Organização, trabalho e talento. Mas um detalhe que não deve ser menosprezado. Os grandes campeões da Fórmula 1 sempre demonstraram um forte envolvimento profissional com chefes de equipes e/ou engenheiros. É o caso de Emerson Fittipaldi com Colin Chapman (e depois com Teddy Mayer), Nelson Piquet com Gordon Murray, Ayrton Senna com Ron Dennis, Michael Schumacher com Jean Todt, Sebastian Vettel com Christian Horner.  Não teria dúvida em afirmar que a parceria entre Toto Wolff e Lewis Hamilton cumpre o mesmo papel das anteriores.

Se a Red Bull parece ser a candidata ao segundo lugar na temporada – porque funciona melhor e conta com um piloto realmente motivado – Max Verstappen – a que possui melhor estrutura para enfrentar a Mercedes seria a Ferrari, sem força nos músculos nesse começo de campeonato.  Sem uma integração proveitosa entre Sebastian Vettel e os dois chefes de equipe ferraristas – Maurizio Arrivabene e o atual Mattia Binotto - Sebastian Vettel acabou não rendendo o esperado. Um risco que deveria tirar o sono  de Charles Leclerc, já ungido como primeiro piloto da escuderia de Maranello de agora para o futuro.

 

 

Castilho de Andrade é jornalista especializado em automobilismo e Diretor de Imprensa do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1.