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INTERLAGOS, A FORÇA DA TRADIÇÃO

Tradição e manutenção são os dois ingredientes essenciais em um circuito para receber a Fórmula 1 – e garantir bons espetáculos. Interlagos tem os dois. E as últimas corridas têm demonstrado que o autódromo está pronto para o futuro.

No ano passado, por exemplo, na vitória de Lewis Hamilton – Max Verstappen venceria se não fosse tirado da pista por Esteban Ocon – Interlagos viu cair as marcas históricas do treino de classificação – Lewis Hamilton fez a pole com 1min07s.281 – e da corrida onde seu companheiro de equipe, Valtteri Bottas, fez a melhor volta em 1min10s540. O traçado com suas novas zebras, asfalto em condições ideais e detalhes de segurança, ofereceu todas as condições para que os pilotos da Mercedes pudessem estabelecer as novas marcas.

Já a corrida de Fórmula 1 de 2016, que marcou a primeira vitória de Lewis Hamilton em Interlagos, foi um grande teste para o autódromo. A chuva intensa e intermitente exigiu a interrupção da corrida, a prova foi longa, difícil e o público não arredou pé. O asfalto cumpriu sua função drenando a água e permitindo que os carros completassem as 71 voltas. Apesar do volume de água, as instalações não foram afetadas.

Interlagos é Interlagos. E quem vence nessa pista sabe que é marca importante no currículo.

A fama internacional da pista começou mesmo na década de 70. Depois de uma reforma essencial para adequar o traçado de 7,960 metros para corridas de monopostos, Interlagos viu surgir o primeiro campeão mundial de F1 pelo Brasil, Emerson Fittipaldi. Emerson venceu em 70 o Campeonato Internacional de Fórmula Ford. Em 71, o mesmo Emerson conquistou a vitória em uma corrida de Fórmula 2. Interlagos estava apto, então, para receber em 72 uma corrida extracampeonato de F1, vencida por Carlos Reutemann. Mas Emerson deu o troco no ano seguinte, ganhando o GP Brasil, já então somando pontos para o Mundial de F1. Emerson voltaria a vencer no ano seguinte, 1974, sob forte chuva, cabendo a José Carlos Pace a vitória em 1975, a única de sua carreira.

Depois, nos anos 90, veio a reforma do traçado para a volta da F1 a São Paulo. O circuito foi reduzido de 7,9 quilômetros para 4,3 quilômetros, de acordo com as exigências da categoria. A pista ficou mais curta, mas o grau de dificuldade se manteve. E os carros passaram a correr mais tempo juntos, tornando as corridas mais interessantes para o público.

De 70 até hoje, Interlagos tornou-se o palco esportivo do maior internacional esportivo do Brasil, recebendo todos os anos a elite mundial da Fórmula 1, de Jackie Stewart a Michael Schumacher, de Nigel Mansell a Nelson Piquet, de Niki Lauda a Ayrton Senna.

As corridas de Fórmula 1 trouxeram visitantes ilustres como os artistas Gene Hackman, Ugo Tognazzi, Sydne Rome, Gael Garcia Bernal, Mick Jagger entre outros. José Carlos Pace foi dublê de Al Pacino em Interlagos, nas cenas de pista do filme ‘Bobby Deerfield’, do diretor Sydney Pollack, no GP Brasil de Fórmula 1 de 1976. Em 1979, foi o beatle George Harrison quem pontificou no autódromo paulistano, em sua visita ao Brasil.

Nas bandeiradas, Pelé e Gisele Bündchen marcaram forte presença cercados de fãs desde a chegada a Interlagos.

Nas histórias fantasiosas - ou nem tanto - velhos pilotos e chefes de equipe garantem que motores foram trocados em provas de longa duração e, para que ninguém descobrisse, as unidades já utilizadas foram repousar no fundo do lago. Há até a história de um fantasma de uma mulher, vestida de branco, que costumava assombrar os pilotos na Junção, durante corridas noturnas.

Um autódromo dos anos 40 pode ser atual? Claro. Desde que se atualize, respeitando a tradição.