Por Castilho de Andrade
Nas últimas três corridas do Mundial de Fórmula 1, Rubinho Barrichello somou 22 pontos contra dez de Jenson Button. Rubinho esteve melhor nas três provas e mereceu reduzir drasticamente a diferença entre os dois para 14 pontos. A quatro etapas do final do Mundial, Rubinho joga suas fichas nos erros de Button. E, pela primeira vez, na sua 17ª temporada, o piloto brasileiro, recordista absoluto de largadas na categoria, pode ficar com o título mundial.
Vice-campeão Rubinho já foi duas vezes: 2002 e 2004, pela Ferrari. Mas eram os anos Schumacher e não dava para pensar em derrotar o alemão. Não fosse a qualidade excepcional de Schumacher havia ainda a determinação da própria Ferrari em não criar qualquer tipo de disputa doméstica entre seus dois pilotos.
A temporada de 2009 é para ficar na história. Principalmente em relação aos pilotos brasileiros. Rubinho, acreditava-se, estava com um carro nas mãos capaz de fazê-lo lutar pelo título. Mas à medida que as corridas foram acontecendo, o que se viu foi um displicente Jenson Button chegar à liderança e abrir folgada vantagem para os demais concorrentes. Depois veio a fugaz reação da Red Bull e, finalmente, Rubinho volta a colocar as coisas nos seus devidos lugares, assumindo sua posição na disputa do campeonato.
Tirar 14 pontos em quatro corridas não é fácil, mas está longe de ser impossível. Além disso, o piloto tem uma carta importante no jogo: o GP Brasil, em Interlagos. No que depender dessa corrida, ele vai levar uma grande vantagem sobre seu concorrente.
Ainda a favor de Rubinho o fato de que Sebastien Vettel e Mark Webber parecem distantes, agora, de qualquer ataque aos dois primeiros colocados. Isso significa que, certamente, Ross Brawn não terá que se envolver na disputa entre Button e Barrichello. Ele poderá levar o título de pilotos e construtores e não precisa de mais nada. E sabe que nada disso teria acontecido se não tivesse contratado Rubinho contra tudo e contra todos.
Ainda em relação à temporada dos brasileiros não se pode deixar de falar de Felipe Massa que acabou ficando de fora do campeonato por causa do inesperado acidente no Hungaroring e de Nelsinho Piquet, demitido pela Renault depois do GP da Hungria e que se transformou no pivô da mais rumorosa história de todos os tempos na Fórmula 1.
Se Nelsinho tem agora o futuro incerto, Massa é certo que volta até o início de 2010 quando Bruno Senna e Lucas di Grassi também poderão alinhar no grid da mais importante, disputada e comentada categoria do automobilismo mundial.
Castilho de Andrade é jornalista especializado em automobilismo e Diretor de Imprensa do GP Brasil de F1.