Mudança de rumo?

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Por Castilho de Andrade

O domínio da Red Bull Racing no GP da Inglaterra serviu como alerta para a equipe de Ross Brawn. A Red Bull já poderia ter vencido na corrida anterior, em Istambul, não fosse uma falha do piloto Sebastian Vettel. Em Silverstone, nem largando na primeira fila Rubinho Barrichello teve carro para se aproximar do líder. E, pior, ainda perdeu no reabastecimento o segundo lugar para Mark Webber, permitindo então a dobradinha da equipe de bandeira austríaca. Há tempo para a alteração no sentido dos ventos no Mundial de Fórmula 1?

A vantagem de Jenson Button e da Brawn ainda é consistente.  O piloto inglês tem 25 pontos sobre Vettel , faltando nove provas para encerrar a temporada. Para que o alemão chegue ao título ele precisaria tirar, em média, três pontos por prova o que, convenhamos, não é fácil. Vettel é um ótimo piloto mas este ainda é um ano de amadurecimento. No ano que vem poderá se tornar, praticamente, imbatível se tiver um carro bom nas mãos.  E, entre os dois, ainda está Rubinho Barrichello que não vai desistir nunca de tentar conquistar seu primeiro campeonato. No Mundial de Construtores, a Brawn tem 30,5 de vantagem em relação a Red Bull e 70,5 sobre a Toyota que nem pode ser considerada como postulante ao título. Mas no caso de mais uma dobradinha da Red Bull, na Alemanha, a pressão sobre a Brawn aumentará muito.  E a chance de uma reviravolta não poderá ser descartada.

Ao contrário do que se poderia imaginar nem Ferrari nem McLaren conseguiram recuperar o terreno depois que fizeram as necessárias alterações na aerodinâmica de seus carros. Nem o Kers está adiantando. Os dois finalistas do Mundial de 2008 têm presença bastante apagada este ano. Felipe Massa soma 16 pontos e Lewis Hamilton, 9.  Juntas, Toyota, Ferrari e McLaren somam menos do que a Brawn ou mesmo do que a Red Bull.

As explicações para a dobradinha da Red Bull foram um pouco vagas e sem muita consistência. Atribuiu-se, principalmente, a uma dificuldade que os carros da Brawn tiveram para aquecer seus pneus. Se o fato repetir em Nürburgring, Ross Brawn terá que tomar algumas medidas urgentes para tentar evitar uma derrota na reta final. Sabe-se que a equipe, apesar da estupenda performance este ano, ainda enfrenta algumas dificuldades financeiras. Só o título poderia mesmo assegurar um bom patrocínio para 2010. E Ross Brawn luta ainda para fechar o acordo para garantir os motores no próximo campeonato. A McLaren, consta, gostaria que a Mercedes voltasse a ser exclusiva da equipe. Neste caso, a Brawn teria que correr atrás de outro fornecedor.  Situação parecida enfrenta a Red Bull com os motores Renault que acabou superando muito a matriz, a equipe de Flavio Briatore. Tudo isso está em jogo neste campeonato.  E a fase final determinará o Mundial de 2010.

Castilho de Andrade é jornalista especializado em automobilismo e Diretor de Imprensa do GP Brasil de F1.