Por Castilho de Andrade
A equipe Brawn, com seus surpreendentes 86 pontos no Mundial de Construtores, supera a soma das três equipes classificadas em seguida. Juntas, Red Bull, Toyota e Ferrari, respectivamente 2ª, 3ª e 4ª colocadas, têm 84,5 pontos, depois de seis etapas do Mundial de Fórmula 1. A aguardada ‘virada’ das grandes escuderias, Ferrari e McLaren, ainda não aconteceu. Mas a Ferrari, pelo menos, acordou.
Jenson Button segue impávido na liderança do campeonato com a marca extraordinária de 5 vitórias em 6 corridas. E em três delas, a Brawn fez a dobradinha, como em Mônaco, colocando Rubinho Barrichello em 2º lugar, no pódio.
O título já tem dono? Não. Ainda é cedo. Acho que a Brawn caminha rápido para liquidar o Mundial de Construtores não por pontos, mas por nocaute. Parece cada vez mais difícil que uma equipe consiga reagir de tal forma para superar a soma dos dois pilotos da Brawn. E, para isso, seria ainda necessário que a Brawn perdesse muito do seu ritmo atual o que, no momento, parece bem improvável.
É verdade que Jenson Button também está em uma posição muito cômoda. Ele tem 51 pontos e, dos grandes pilotos, o que está mais próximo é Fernando Alonso, com 11 e, depois, Lewis Hamilton e Kimi Räikkönen, ambos com 9. Sebastian Vettel e Mark Webber ainda precisam provar que têm força para chegar na frente. Rubinho tem 35 pontos, mas esta é outra história. Se a disputa interna continuar favorável ao inglês e ele passar a ser ameaçado por outro piloto, a equipe Brawn não teria então outra alternativa senão a de trabalhar para a vitória de Button. Mas também há outra alternativa. Caso ninguém se aproxime da pontuação de Button e Barrichello, a equipe poderia simplesmente lavar as mãos e deixar que os dois partissem para a disputa franca pelo título. Rubinho, certamente, não descarta esta chance.
O Mundial terá agora dois circuitos rápidos pela frente: Istanbul e Silverstone. A Ferrari assume que poderá melhorar mais nestas pistas. Com Felipe Massa e Kimi Räikkönen saindo em perseguição dos dois ponteiros, a disputa ficaria deveras interessante. Quem fica devendo, por enquanto, é a McLaren, que não está mostrando capacidade de reação. A BMW vai de mal a pior e a Red Bull, com Sebastian Vettel, não está cumprindo o papel que anunciou no início da temporada.
O campeonato tem ainda 11 corridas pela frente, quase o dobro do que tivemos até agora. Se a Ferrari mostrou que está mudada e não jogou a toalha como o próprio Massa chegou a afirmar, então a vitória de Button não está sacramentada. Do contrário, aí sim, o piloto inglês poderá pensar no título. Mas terá que vencer Rubinho Barrichello, o que poderá ficar mais difícil daqui para a frente.
Castilho de Andrade é jornalista especializado em automobilismo e Diretor de Imprensa do GP Brasil de F1.