Por Castilho de Andrade
A Brawn GP tem 25 pontos no Mundial de Construtores e a Toyota, 16,5. A McLaren tem 1 ponto e a Ferrari nenhum. Este é o quadro do momento na temporada de Fórmula 1 de 2009. O que virá pela frente é imprevisível. De concreto mesmo, por enquanto, destaca-se o domínio dos carros de Ross Brawn em qualquer circunstância. Na Malásia, sob um dilúvio, Jenson Button reinou sozinho. Nunca é tarde para lembrar que, pouco depois dos testes da Brawn GP, Bernie Ecclestone, em entrevista, incluiu o inglês Button como um dos favoritos ao título deste ano.
No dia 14 a Corte de Apelações da Federação Internacional de Automobilismo reúne-se para analisar se os discutidos difusores aerodinâmicos violam ou não o regulamento técnico dos carros, atendendo a um recurso de algumas equipes como a Ferrari. Antes do início do campeonato, a própria FIA já tinha dado seu aval ao recurso utilizado pela Brawn e Toyota. As equipes, entretanto, na dúvida sobre a decisão final, já estão desenvolvendo seus próprios difusores. Na China, a Renault já poderá utilizá-lo. E até o início da fase européia, provavelmente, todas as demais escuderias já terão condições de correr com os difusores.
Em se confiando nas análises de Rubinho Barrichello, a Brawn GP não está na frente apenas por causa dos difusores. Ele assegura que o carro é muito em todos os aspectos. E que, mesmo com uma improvável proibição dos difusores, a equipe teria condições de continuar lutando pelos títulos de pilotos e construtores. O que a equipe teme é a possibilidade de perder os pontos obtidos nas duas primeiras corridas, caso o uso do difusor seja considerado irregular.
Partindo-se do princípio que a FIA aprove definitivamente os difusores, a Brawn terá então uma boa vantagem sobre suas concorrentes. Até que as demais atinjam o mesmo grau de desenvolvimento, Jenson Button e Rubinho Barrichello poderão somar muitos pontos, tornando difícil uma reação dos adversários. Principalmente porque as duas mais sólidas equipes da Fórmula 1, Ferrari e McLaren, estão atravessando um péssimo momento e ninguém pode assegurar ao certo quando a má fase vai acabar. Pode ser na China, pode demorar mais. A Renault está um pouco melhor mas ainda assim longe da Brawn. E Fernando Alonso não esconde sua insatisfação. Com as novas regras, o talento do bicampeão espanhol poderia fazer a diferença. Mas não é o que ocorre. Portanto, depois das duas primeiras corrida, os únicos pilotos em condições de oferecer resistência a Button e Barrichello seriam Jarno Trulli e Timo Glock. Mas eles ainda têm que provar a capacidade de entrar na disputa.
Castilho de Andrade é jornalista especializado em automobilismo e Diretor de Imprensa do GP Brasil de F1.