Por Castilho de Andrade
A nova Ferrari F60 foi para a pista de Mugello e Felipe Massa reconheceu. ‘É muito bonita’. Sem os apêndices que comprometiam o visual da carenagem, com uma imensa asa dianteira e um limitado aerofólio traseiro, a Ferrari é a cara da Fórmula 1 em 2009. Acrescente-se ainda os velhos e bons pneus slick, banidos desde 1998. Os carros novos remetem a um passado recente da F-1 mas sem comprometer sua eficiência e já apontando para o futuro com o recurso do armazenamento da energia cinética. Conclusão: o público assistirá às corridas com mais prazer.
O Mundial começa no dia 29 de março em Melbourne, na Austrália, chega à Europa no dia 10 de maio, em Barcelona, passa por Interlagos em 18 de outubro e conclui a temporada no dia 1º de novembro, em Abu Dhabi. Mas o clima já começa a esquentar neste frio inverno europeu. Com poucas mudanças de pilotos e equipes mas com novidades técnicas de dar água na boca, os testes dos novos carros serão acompanhados com um interesse incomum. Quem obteve a melhor solução aerodinâmica? Que vantagem Fernando Alonso poderá tirar das novas regras? Lewis Hamilton demonstrará que será o piloto a ser batido em 2009? Massa continuará superando Kimi Räikkönen garantindo a condição de desafiante do atual campeão mundial? Como ficará a equipe Honda? A Petrobras manterá seu contrato com a equipe se ela for, realmente, negociada? Estas e outras questões serão respondidas ao longo dos próximos dois meses.
Para o torcedor brasileiro há vários assuntos primordiais na F-1. Em primeiro lugar, as condições do carro número 3, a Ferrari de Massa. Terá o piloto brasileiro uma monoposto capaz de enfrentar e derrotar os adversários? Mas há outros temas também importantes. Nelsinho Piquet teve em 2008 uma temporada de altos e baixos. Mas quem acompanha sua carreira no automobilismo sabe que ele só deslancha mesmo na segunda temporada. Foi assim na Fórmula 3 sul-americana, na GP2, etc. Dessa forma pode-se esperar mais do companheiro de Fernando Alonso na equipe Renault. E Rubinho Barrichello? E Bruno Senna? Bem, o duro golpe com a saída da Honda atrapalhou os projetos dos dois pilotos. Um veterano, recordista de largadas na Fórmula 1; o outro, o herdeiro de um nome que dispensa comentários. Se o mexicano Carlos Slim comprar a Honda, Senna poderia ser o escolhido para pilotar um dos carros por conta de seu envolvimento com a Embratel. Se o comprador for o armador grego Achilleas Kallakis, ninguém sabe em quem cairá a escolha. De qualquer forma, a Toro Rosso, que já confirmou o suíço Sébastien Bueni, tem ainda uma vaga aberta. Os dois brasileiros são candidatos. Lucas Di Grassi corre por fora.
Com a desistência do Canadá, o GP Brasil em Interlagos – com os ingressos já à venda - passa a ser o único das Américas. Isso assegura uma condição especial para a corrida. A Prefeitura Municipal de São Paulo voltará a oferecer ao público as condições necessárias para mais um grande evento internacional, o principal do calendário paulistano e brasileiro. Como no ano passado, a expectativa é de uma corrida decisiva com o comportamento imprevisível dos novos carros no asfalto liso de Interlagos.
Castilho de Andrade é jornalista especializado em automobilismo e Diretor de Imprensa do GP Brasil de F1.